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Baterias conseguem partir motores industriais? Entenda os limites técnicos e os riscos envolvidos

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  • 15 de jan.
  • 3 min de leitura

Nos últimos anos, com a popularização de sistemas BESS (Battery Energy Storage Systems), uma pergunta passou a surgir com frequência em indústrias, agroindústrias e grandes consumidores de energia:

“É possível utilizar baterias para partir motores industriais?”

A resposta técnica é: em alguns casos, sim; em muitos outros, não, e frequentemente com riscos relevantes quando não há um projeto adequado.

Neste artigo, explicamos o que realmente ocorre na partida de um motor industrial, quais são as limitações das baterias, quando essa aplicação pode funcionar e por que esse tema exige engenharia, e não soluções genéricas.


O que acontece na partida de um motor industrial?

Motores elétricos, especialmente motores de indução trifásicos, apresentam um comportamento elétrico bastante crítico no momento da partida.

Em termos práticos:

  • A corrente de partida pode atingir 5 a 8 vezes a corrente nominal

  • Esse pico ocorre em um intervalo muito curto, porém com potência instantânea elevada

  • A rede elétrica convencional consegue absorver esse impacto

  • Sistemas de baterias não se comportam da mesma forma que a rede

Exemplo típico:Um motor de 30 kW, com corrente nominal próxima de 60 A, pode exigir 300 a 450 A no instante da partida.


Onde surgem as limitações das baterias?

Baterias são projetadas, prioritariamente, para fornecimento contínuo de energia, e não para picos abruptos de potência, como os exigidos na partida direta de motores.

As principais limitações aparecem em três frentes:

Capacidade de descarga instantânea

  • Nem todas as baterias suportam altas taxas de descarga

  • Picos elevados podem provocar queda de tensão, acionamento de proteções ou degradação acelerada do sistema

Inversores e eletrônica de potência

  • O desempenho do sistema depende tanto do inversor quanto da bateria

  • Se o inversor não suportar o pico de corrente:

    • O sistema desarma

    • O motor não parte

    • O projeto falha

Estabilidade de tensão e frequência

  • Motores industriais são sensíveis a variações elétricas

  • Oscilações durante a partida podem gerar aquecimento excessivo, esforços mecânicos e redução da vida útil do equipamento

Quais são os riscos reais dessa aplicação?

Em projetos industriais, tentar partir motores diretamente com baterias, sem uma análise adequada, pode resultar em:

  • Sobreaquecimento do motor

  • Falhas ou queima de inversores

  • Redução significativa da vida útil das baterias

  • Desarmes recorrentes e paradas de processo

  • Perda de confiabilidade operacional

Em ambientes industriais, instabilidade elétrica representa custo, risco e perda de produtividade.


Em que situações baterias podem funcionar?

Existem cenários tecnicamente viáveis, desde que o sistema seja corretamente projetado.

Alguns exemplos:



Uso de soft starter ou inversor de frequência (VFD)

  • Redução significativa da corrente de partida

  • Rampas controladas de aceleração

  • Maior compatibilidade com sistemas de baterias

Motores com cargas progressivas

  • Bombas centrífugas

  • Ventiladores

  • Equipamentos sem carga mecânica elevada no arranque

Sistemas híbridos bem coordenados

  • Integração entre baterias, solar, rede ou gerador

  • Estratégias de partida assistida

  • Lógica de controle definida conforme o processo

É importante destacar que, nesses casos, o dimensionamento não começa pela bateria, mas sim pela análise do motor, da carga e da operação.


O erro mais comum em projetos com baterias industriais

A pergunta mais frequente costuma ser:

“Quantos kWh de bateria são necessários?”

Isoladamente, essa pergunta não resolve o problema.

Em aplicações industriais, é essencial avaliar:

  • Perfil de carga e demanda

  • Corrente e tempo de partida

  • Tipo de acionamento do motor

  • Sequência operacional

  • Criticidade do processo produtivo

Sem essa análise, o sistema pode parecer adequado em planilha, mas falhar na operação real.

Conclusão: baterias não substituem engenharia

Baterias não funcionam como uma extensão direta da rede elétrica. Elas exigem engenharia elétrica, automação e entendimento profundo do processo industrial.

O risco não está em utilizar baterias, mas em aplicar essa tecnologia sem compreender as características do motor, da carga e da operação.


Onde entra a TAG Energy

Na prática, projetos industriais com baterias, motores e sistemas híbridos não falham por falta de equipamento, mas por falta de diagnóstico técnico e integração entre disciplinas.

A TAG Energy atua justamente nesse ponto crítico do projeto: na engenharia aplicada, antes da compra de qualquer solução.

Nosso trabalho envolve:

  • Análise detalhada do perfil de carga e do processo industrial

  • Avaliação técnica de partidas de motores, picos de corrente e estratégias de acionamento

  • Definição clara de quando baterias fazem sentido, e quando não fazem

  • Integração entre sistemas solares, BESS, rede e automação

  • Projetos focados em confiabilidade operacional, não apenas em economia teórica

Mais do que instalar sistemas, a TAG Energy desenvolve soluções energéticas industriais baseadas em engenharia real, alinhadas à operação, ao risco e à continuidade do negócio.

Quando o assunto é bateria em ambiente industrial, a pergunta certa vem antes da solução certa, e é exatamente aí que começa um projeto bem feito.

 
 
 

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